Eu sinto algo no ar. É completamente distinto e inteiramente secreto. Nesse mundo abstrato, prevalece a paciência, some a impulsividade, mas a sensação térmica apesar do frio, poderia fazer explodir qualquer termômetro. O que define o futuro é o auto-controle. Friaca que fica de lado, empurrada pra fora por um coração que pulsa diferente. Está no ar e é até meio cinematográfico esse assunto de epidemia. Admito que a minha mascara de ar não era tão boa assim. Contágio.
Não é lá daquelas gripes que te deixam mendigando na cama por dias, mas certamente passa longe de ser um resfriado qualquer - me derrubar está difícil.
Dias estranhos estes de inverno. São mágicos e imprevisíveis, lembram até esses desenhos de TV antigos - esses em preto e branco e que no fim das contas não são tão fictícios assim.
Está no ar. Essa sensação de bipolaridade. Exteriormente é como a Antártida, interiormente, a ilha do Lost. Secreta, selvagem e tropical. Volta a tona uma necessidade por músicas melosas e filmes de gênero alternativo.
Me faz sentir saudade do futuro, distante de pressa, que é maldosa e ineficaz. Perspicaz é a habilidade de ficar em silencio, sem ter medo de parar no tempo. Relógio que rola.
E aliás, que horas são? Vejo somente aquelas horas iguais no ponteiro digital. É além disso tempo de se orgulhar na frente do espelho antes de pensar em colocar o pé fora de casa! Orgulho de parecer uma bola! Elegância no talo - sendo sempre modesto, menos pra nossa mãe, que te faz sentir um Brad Pitt da vida, após o pai dar um belo de um tabefe nas suas costas ao ver um novo brilho nesse tal de olhar.
Brilho que é rapidamente encoberto por desculpas esfarrapadas. Das mais diversas. Disse ao papai que vi um cachorro fazendo suas necessidades e isso me deixou feliz pela saúde do animal, mas meu pai ficou com uma bela pulga atrás da orelha, com toda a razão.
E falando em beleza, fica tudo mais belo quando as coisas são naturais, assim como o som do vento que faz balançar no varal esse coração pronto pra chuva, ou mesmo como o cachorro defecando lá na rua.
E que chova pra valer - acima das nuvens escuras sempre brilha um céu azul, como diz meu catálogo de clichês. Nem preciso citar as estrelas. Migué de lado, coração guardado.
É, dona epidemia, a senhora está no ar. Não sei da onde veio, não sei pra onde vai. Sei apenas que estou respirando esse ar contaminado de amor.


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